Planejar para não repetir erros

Na data em que é comemorado o Dia Mundial da Água, teve início o ciclo de palestras que marcam até quinta-feira, 23, os trabalhos do Preparatório da Engenharia e da Agronomia para o 8º Fórum Mundial da Água, em curso em Campinas/SP.

“Essa é a nossa missão: entender a natureza e tentar responder aos nossos problemas atuais, evitando a repetição de erros. Aí a gente começa a acertar mais”, afirmou o Prof. Dr. Antonio Carlos Zuffo da Universidade Estadual de Campinas – Unicamp, na palestra “Recursos Hídricos na Bacia PCJ (Piracicaba, Capivari e Jundiaí)”, realizada na manhã de 22 de março nas dependências do Expo D. Pedro.

O engenheiro civil Zuffo possui mestrado na mesma modalidade pela Universidade de São Paulo e doutorado em Engenharia Hidráulica e Saneamento pela Universidade de São Paulo e pós-doutorado na University of Toronto, Ontario, Canada. Atualmente é Professor Associado da Universidade Estadual de Campinas. Tem atuação em Engenharia Civil, área de recursos hídricos, em planejamento e gerenciamento de recursos hídricos e ambientais, com ênfase em Análise Multicriterial.

O palestrante traçou um panorama histórico do abastecimento de água na região, com destaque para os investimentos em saneamento feitos a partir da década de 1970, com o surgimento do Sistema Cantareira, e sua evolução ao longo dos anos.

Zuffo chamou atenção para os comportamentos cíclicos observados na natureza e o desafio de, detectados esses fenômenos, trabalhar com planejamento. Digna de nota foi a comparação feita entre os anos de 1953 e 2004, quando se observou as mesmas ocorrências de enchentes no Amazonas e na Europa, enquanto a região da Califórnia (EUA) enfrentou períodos severos de estiagem.

“Se não entendermos o comportamento do clima, a gente sempre vai fazer a previsão errada, a construção errada. Sem engenharia você não tem abastecimento: você tem desde a captação, vai fazer a adução, tem que tratar essa água, depois que essa água foi servida você precisa captar, tratar e colocar de volta no sistema, então precisa de engenharia. Nossa civilização moderna, se não tiver engenheiro, não funciona, tudo para, volta para a Idade da Pedra”, ressaltou.

Planejar para não repetir os erros é a saída. “Como técnicos que trabalhamos nessa área, temos que aprender com os dados que vêm da natureza. Não conseguimos modelar ou saber qual vai ser a temperatura, ou qual vai ser a chuva ano que vem, a gente sempre observa a média. Mas na observação de séries longas, observamos que a média muda. O desvio padrão, a variação de um ano para outro também muda. E bastante. Se a gente tenta entender quais são os motivos, os efeitos que levaram a isso, e a gente consegue repetir nesse padrão, a gente consegue prever para a frente, e a gente coloca esse conhecimento em prol da sociedade”, finalizou Zuffo.

A mesa dos trabalhos foi composta pelo Presidente da Associação dos Engenheiros de Campinas, Eng. Civ. Paulo Sérgio Saran, e pelo Conselheiro do Crea-SP, Eng. Agr. José Eduardo Abramides Testa.

Fonte/Foto: Departamento de Comunicação do Crea-SP

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *